Seleção de fotografias de um certo Brasil, por David Drew Zingg. As fotografias dessa exibição são fragmentos de uma história parcialmente completa de uma nação chamada Brasil e de seus personagens, principalmente da área artística-cultural, vista através das lentes de um homem que mantém uma relação de intimidade com o país e seu povo há 40 anos.

    As imagens, na sua maioria, se concentram na metade dos anos 60 e 70, mas algumas delas chegam a tempos mais recentes. Nas suas andanças pelo Brasil, Zingg fotografou personalidades e objetos. Por suas fotos de ilustres personagens, Zingg, um jovem de 75 anos, tornou-se também ilustre. Na maioria das fotos é a fama de cada um que empresta uma certa aura às suas imagens.

    Nessa mostra vemos Ataulfo Alves em um botequim atrás da estação Central do Brasil, João Gilberto e Astrid, num raro retrato no estúdio de Zingg em Nova York, Rita Lee e os Mutantes em uma imagem surreal, um jovem Oscar Niemeyer em sua prancheta durante a construção de Brasília e um belíssimo nu de Leila Diniz um dia antes dela dar à luz.

    Quando fotografa objetos e arquitetura, Zingg parece ser capaz de olhar para um ponto excepcional de uma cidade ou vila e perceber seu aspecto saliente e o complexo entrelaçamento das forças que deram forma a ele. Zingg tentou fazer arte. Ele mesmo seria o primeiro a apontar: as fotos refletem na presença de forças significativas de um ponto em particular, um tempo histórico. Elas não levam o espectador a uma conclusão preestabelecida que não possa estar sujeita a mudanças. É o material exato de um Brasil distante e esquecido que foi construído nas lentes e os olhos de Zingg.

    Em suas fotos de rua, não visa o momento, trágico ou dramático que seja. Ele parece estar atrás de algo mais, um lugar comum que reflita o tempo real das pessoas que povoam o seu mundo brasileiro. Com a nova liberdade providenciada pelo desenvolvimento de filmes mais rápidos e menores e câmeras de alta tecnologia, ele captou momentos espontâneos de pessoas comuns durante o Carnaval, o olhar alucinado de um coveiro baiano, o redemoinho verde e rosa da Mangueira, e a garota solitária em uma confusão de confetes após o baile.

    Segundo Susan Sontag, "...essencialmente a câmera faz de todo mundo um turista na realidade dos outros, e eventualmente, na sua própria realidade, tambem."

    É difícil saber com certeza se Zingg registrou o Brasil real do seu tempo ou o inventou.

    As fotos do Brasil deste fotógrafo Gringo têm sidos publicadas tanto na imprensa como em livros que viraram parte duma mitologia da história do pasado recente. De qualquer forma, o Brasil das imagems de Zingg já faz parte de nosso arquivo visual.

    A exposição "Despachos de uma Terra Perdida" de David Drew Zingg faz parte do Mês Internacional da Fotografia e é uma homenagem que o Centro de Comunicação e Artes do SENAC-SP presta a este americano que adotou o Brasil como pátria.


Visitação: 19/05 a 18/06/99 das 9 h às 22 h
Curadoria: João Kulcsàr
Texto de Apresentação: Matinas Suzuki Jr.


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